O nome já diz tudo. Hidrorrepelente é um produto que, aplicado a uma determinada superfície, torna-a repelente à água. Simples, não?
Simples até demais. Complicado é entender o que o fabricante escreve lá atrás da embalagem, em letras míudas. E mesmo para os que se dão ao trabalho de ler, quando se deparam com algo do tipo: "produto a base de siloxano oligomérico veiculado em meio orgânico", obviamente desistem. Químico é um bicho chato. Palavra de químico.
A verdade é que há no mercado um grande número de produtos que se propõem a funcionar como hidro-repelentes. Usualmente oferecidos para impermeabilizar paredes de tijolo aparente, como na figurinha ao lado aqui. Mas podem ser usados para tratar pedras, tijolos, qualquer superfície.
A maior parte dos fabricantes e vendedores adora fazer um teste em geral infalível. Pegam um tijolo de barro, previamente tratado com hidrorepelente (pode ser qualquer um). Depois de seco, ninguém consegue distinguir que parte foi tratada, que parte não; parece realmente tudo igual. Mas vestem a fantasia de mágicos, e na frente do cliente (geralmente leigo), mergulham o tijolo em água. É batata: a parte tratada sai da água sequinha de tudo, deixando escorrer a água; a parte não tratada fica encharcada feito uma esponja. O cliente fica impressionado, e diz que leva o produto.
Mas não passa de conversa de vendedor. Este teste funciona com os piores e com os melhores hidro-repelentes. É um teste que ilustra o que faz um hidro-repelente, mas está longe de ser fator para decidir entre um produto e outro. Por que?
Vamos a uma explicação histórica.
Era uma vez, lá pelos anos 50, uns caras que resolveram dispersar silicone em água, resultando em um negócio chamado siliconato. O produto era realmente hidro-repelente (passaria perfeitamente no teste do tijolo). Mas era muito sensível a alcalinidade (tudo o que tem cimento e cal é alcalino), e rapidamente provocava manchas brancas que deixavam a dona de casa doida da vida, querendo matar o vendedor que lhe fez o teste do tijolo.
Por conta disso, os fabricantes espertos sacaram, lá pela década de 60, que era melhor pegar o mesmo silicone, ou melhor, a resina de silicone e dissolvê-la em solvente (querosene ou aguarraz). Também era hidro-repelente, passava no teste do tijolo, mas era resistente a alcalinidade e não provocava as tais manchas. Dê uma volta pelas lojas mais próximas e você vai ver um monte de produtos que são exatamente o nosso tremendão dos anos 60. São os mais baratos. Só tem uma coisa ruim: não penetram bem no tijolo ou na parede. Ficam na superfície e não duram muito por lá (são mecanicamente retirados, seja pela abrasão, volatilização, ou mesmo a água que tanto repelem).
(aqui um comentário: sei que alguns vão dizer que isso é bestice, que já aplicaram o tal produto e viram com os próprios olhos que não há quantidade que chegue, pois tijolo "chupa" o hidrorepelente. É verdade! Aplique quantas demãos quiser, e o tijolo continuará "chupando" "o solvente". O silicone fica nos poros da superfície)
Indo em frente, lá pelos anos 70, mesmo com a incansável presença do tremendão dos anos 60, apareceu uma variante do silicone: o silano disperso em solvente. Penetrava como um doido nosn poros da superfície, mas era muito volátil.
Sequencia normal do desenvolvimento, surgiu, creio que no final dos anos 80, o silano/siloxano oligomérico, também disperso em solvente. Elevada penetração aliada a pouca volatilidade. De la para cá não foi inventado nada melhor em eficiência e com custos acessíveis.
O que se vê pelo mercado hoje em dia? O tremendão dos anos 60 e o nosso amigo dos anos 80, que custa cerca de 30 a 40% mais que o seu concorrente.
Qual a diferença entre os dois? Nos primeiros 6 meses nenhuma. Mas o tremendão precisa ser re-aplicado depois disso. Em média, em condições normais, falamos de umas 3 ou 4 aplicações do tremendão para uma do siloxano oligomérico. Embora custe mais caro, fica óbvio que é mais interessante aplicar o produto melhor.
Mais adiante falaremos um sistema de proteção bem mais interessante, para casos mais severos. A associação do silano/siloxano com acrílicos.