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Que são argamassas poliméricas e por que há tanta diferença entre as marcas comerciais mais conhecidas
Publicado por Impertudo em 02/6/2008 (4932 leituras)
Apesar de muita gente ainda acreditar em Papai-Noel, a verdade é que concreto algum é impermeável. E como já falamos anteriormente, também não há argamassa impermeável.

Mas se é assim, o que são as argamassas poliméricas, também chamadas de argamassas impermeabilizantes?

A resposta mais fácil: são argamassas com algum impermeabilizantes embutido ou adicionado nelas.

Agora, qualquer argamassa serve? Qualquer impermeabilizante serve? É só juntar um com o outro e tudo se resolve? Óbvio que não, mas mesmo estas perguntas podem ser usadas para indicar as diferenças entre tudo o que se oferece no mercado.

Tudo começou com uma tradição: a de misturar um impermeabilizante na massa, dissolvendo-o na água de amassamento (você já ouviu isso, certo?).

Mais tarde o número destes produtos impermeabilizantes foram se multiplicando, um dizendo que fazia mais que o outro. Apareciam então os tais cristalizantes.
E pra encurtar uma longa história de muitos outros capítulos, chegamos onde estamos hoje, vendendo caixinhas ou baldes que contém uma parte em pó e outra em líquido que, se misturados e corretamente aplicados, impermeabilizam certas superficies. Chame como quiser (cimento polimérico, cimento com cristalizante, argamassa polimérica ou argamassa impermeabilizante), estamos falando, no fundo, no fundo, de uma coisa só.

Uma argamassa com porosidade "entupida"!
Concreto, cimento ou argamassa simples não são impermeáveis. Por que? Porque tem poros demais, porque absorvem água ou umidade.

O que faz uma argamassa se tornar impermeável?

Para responder adequadamente, lembremos que uma boa argamassa polimérica, se assim chamada, é composta por:

a) cimento e areia, cargas, enfim, a argamassa, além de algums outros aditivos reológicos (espessantes, umectantes, etc)

b) um cristalizante

c) um polímero acrílico, junto com a parte líquida, que carrega a água necessária para a cura do cimento

Qualquer cimentinho serve?
Quanto menores os poros da argamassa final, menos espaço entre os grãos para entupir, certo? Certíssimo. Aqui apresentamos uma primeira diferença gritante entre produtos e produtos. Algo chamado granulometria (o tamanho dos grãos sólidos).

Quanto mais finos estes grãos, melhor a argamassa. Isto significa que uma boa argamassa precisa de cimento bem peneirado (fino), quando se "joga fora" a parte grossa. Também significa que não deveríamos estar falando de areia comum, mas sim de micro-sílicas. Um produto bom tem tudo isso, e a "parte pó", falando de forma bem simples, deve apresentar uma textura, quando seca, bem parecida com talco, ou amido de milho (tipo "maizena").

Mas... e se eu quiser baratear o produto? Começo esquecendo das micro-sílicas, e passo a usar areia peneirada (tem gente que usa areia de rio mesmo, da mais fina). Depois passo a usar cimento mesmo, do jeito que chega, sem peneirar. Depois esqueço dos espessantes e outros aditivos que fazem com que o produto seja mais coeso, etc, etc. Resumo da ópera: fica tudo com a mesma cara de cimento, cinza claro, e se quem usa não percebe que o pó tem algumas "grossurinhas"...

E o que é um bom cristalizante?

O cristalizante é um silicato que, quando misturado com a água e com toda a alcalinidade do cimento, acaba se transformando em hidrosilicato. Ou seja, uma parte do pó se transforma na presença de água, transformando-se num outro produto, que tem como principais características ser um cristal insolúvel em água, que entope os poros da argamassa.

Só ele entope tudo? Se formulado em quantidade correta, sim. Mas há apenas um inconveniente: o sistema resultante disso é uma argamassa bastante rígida. Dilatações, flexões, trabalhos mecânicos nas lajes ou superfícies acabam por romper ou causar microfissuras nestas argamassas cristalizadas.

E pra serve o polímero acrílico?

PAra dar flexibilidade, além da vedação dos poros. Ele atua em conjunto com o hidrosilicato, também entupindo a porosidade da argamassa, e oferecendo uma boa resistência às dilatações e trabalhos mecânicos.

Mas vale a pena lembrar: apesar de um sistema mais flexível, ainda se trata de uma argamassa, dura como cimento (pois é cimento mesmo), com um cristal interno (mais duro ainda que o cimento), com um polímero fazendo as honras da dilatação. Por isso é correto chamar estas argamassas de semi-flexíveis.

(Importante não confundir com as argamassas flexíveis, com adição de resina termoplástica, pois são produtos bem mais requintados e flexíveis. Sobre elas falaremos em um próximo artigo)

Agora, novamente... se eu quiser baratear o produto? Primeiro esqueço ou reduzo a quantidade de polímero acrílico (é o componente mais caro), deixando por lá só um cheirinho dele pra dizer que existe algo. Depois controlo um pouco a vontade do químico de colocar a quantidade exatamente necessária de silicatos. E por aí vamos...

Quer mais ainda? Note que existem argamassas bi-componente e argamassas mono-componente. Estas últimas (mono-componentes) não contém polímero algum. São puro cimento, areia e silicatos. Adicione água e você terá um cimento com cristalizante. Comparado às argamassas com polímero, perde longe em flexibilidade.

Concluindo...
Há argamassas que custam de A a Z. De R$ 18 a R$ 35 a caixa de 18kg, em geral. Além das variações comerciais possíveis, sugiro que você fique atento ao que elas se propõem a fazer, e também ao que elas podem fazer (mesmo porque, na embalagem, há fabricante que é capaz de dizer que o produto dele cura até dor nas costas!)

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